A maturidade nos presenteia com tantas boas coisas que acabamos por deixar passar em brancas nuvens as rugas e os quilinhos a mais que com ela vêm atrelados. Algumas pessoas envelhecem e apenas tornam-se velhas, não amadurecem. Triste isso. Essas somente verão o lado escuro do tempo que passa.
Quando eu era mais jovem, queria manter minha casa sempre "limpíssima e arrumadíssima" e, com três crianças mais um trabalho fora, a tarefa era quase hercúlea. Hoje, raramente minha casa estará arrumadíssima. Hoje meu tempo é dedicado principalmente às pessoas que amo, a fazer o que gosto. Sim, meus netos podem pular na minha cama e brincar com os ímãs do frigorífico. Sim, os ímas partem-se e nós os colamos ou fica aquele montinho partido num cantinho à espera de ser colado. Sim, hoje eu chego em casa e sento-me no sofá a ver TV com uma taça de amendoins ao colo e a minha gata salta para cima de mim, enche-me de pelos e a louça fica por lavar, porque a companhia do meu marido é mais interessante do que uma pia livre de louça. Sim, tenho livros espalhados pela casa e marco-os com qualquer coisa, seja uma carta, um papel, um clipe, porque nunca encontro o marcador de livros próprio. E não é o fim do mundo.
Minha casa conta a minha história, diz o que eu fiz hoje e possivelmente ontem. Ela emana vida, amor, dor, pressa, cultura, risos e tudo isso ao mesmo tempo. Meus sofás têm os arranhados da gata, no corredor invariavelmente terão os tênis do meu marido, meus livros lidos moram na estante, os que estão a ser deglutidos moram por aí, minha bíblia vai passeando pela casa conforme o dia.
É bem certo que a louça que hoje não é lavada estará lá amanhã. Mas não sei se o marido que hoje não é acarinhado amanhã estará lá. Os ímãs que se partem podem ser repostos. Os netos que se vão nunca o poderão ser. Se eu pudesse voltar no tempo brincaria mais de bonecas com minhas filhas, no tapete branco da sala de estar.
Contos, crônicas, coisas...Coisas de mulher, coisas de menina, coisas de filha e coisas de mãe.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
sexta-feira, 20 de novembro de 2015
O que aprendi com meus gatos.
Definitivamente, gato está na moda por estes lados de cá. No início, pensei logo: resultado da crise. Sim, gatos são menos dispendiosos do que cães. Exigem menos, dão menos trabalho, comem menos e adoecem menos. Quando o cinto aperta e o desejo de ter um pet grita no nosso relógio biológico, acabamos por optar por um gatinho. Mas o fato é que nem foi assim que virei gateira.
A coisa foi aos poucos. Como vivo numa aldeia, por lá havia uma gata que pariu e deixou um filhotinho. Mais tarde ficamos a saber que era fêmea. A gatinha por ali ficou e eu comecei a alimentá-la. Ainda sem conhecer a relação entre gatos e seres humanos, deixava-a livre e solta para ir e vir dentro e fora de casa. Aos 4 meses a gatinha morreu atropelada.

Anos mais tarde, ofereceram-me um gato. Assim, de sopetão. Sua família iria viajar e não podia mais ficar com ele. Apaixonei-me por ele. Comprei brinquedos de gato, caminha, árvore e todos os mimos que apareciam eu queria dar-lhe. Ele gostava de passear no jardim e, como todo gato, explorar as redondezas. Fiz-lhe as vontades e ele sempre voltava. Como estava castrado, eu acreditava que estaria livre das brigas de rua, que não fugiria. Não pensei que o maior perigo nesta selva de pedra em que vivemos são os carros. Quando ele foi atropelado e rastejou até à porta de casa, suportou uma cirurgia na anca e uma semana de dores até morrer quietinho, só então enxerguei que não podemos fazer-lhes as vontades. Se ele fosse meu filho eu não o deixaria ir à rua, ainda que ele pedisse e chorasse. Vi que gatos estão preparados para os perigos naturais das florestas, dos desertos, da vida silvestre, mas não para esses monstros de 1.500 kg que colocamos nas ruas que cortam os seus caminhos e que correm a uma velocidade maior do que a dos linces. Sofri o luto e ainda sofro ao pensar no Snow.
A essa altura, eu já frequentava várias páginas sobre gatos nas redes sociais. Sou contra o comércio de animais, pelos motivos mais óbvios. Não se deve vender gente, não se deve vender bicho. Há gatos abandonados pelas ruas e dar um lar a um gato ter um sabor especial. Assim soube da Gatos Urbanos de Coimbra e adotei a Kitty, através de uma doce senhora. Kitty é uma gatinha castrada e gorducha, muito calma e preguiçosa, que com o tempo ensinou-nos um sem números de coisas:
Somos nós quem atendemos aos seus pedidos, não ao contrário. E fazemo-lo com prazer. Se ela deseja deitar no nosso colo e ser acariciada, ela mia e obriga-nos a sentar num determinado sofá. Quando eu chego a casa, ela mia em frente à caixinha dela, a dizer: "Limpa a minha caixinha" e não desiste enquanto a caixinha não estiver limpa. Kitty nos ama sem fazer alarde. Se chega uma visita ela se esconde. O amor dela é somente para nós, mais ninguém verá. Ela me ensinou que o amor que um animal desperta em nós é diferente de amor de filho, de pai, de mãe, de amigo. Não é maior nem é menor, porque amor não se mede. Mas importa que permitamos que ele seja despertado, pois podemos conviver uma vida inteira com o nosso cão, o nosso gato, o nosso irmão, pai ou mãe e nunca amá-los, apenas habituarmo-nos a vê-los por ali e até a sua presença nos agradar. Mas isso não é amar a eles. É amar a nós.
Verónica Vidal
quinta-feira, 2 de julho de 2015
O Medo, o Bruxo e o Gato
Às vezes - só às vezes - temos medo de pessoas. Algumas delas parecem ter o poder de perscrutar
perscrutar
"perscrutar", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/perscrutar [consultado em 02-07-2015].
"perscrutar", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/perscrutar [consultado em 02-07-2015].
perscrutar
"perscrutar", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/perscrutar [consultado em 02-07-2015].
"perscrutar", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/perscrutar [consultado em 02-07-2015].
dentro de nós uma qualquer coisa que não queremos revelar. É como se os olhos desnudassem a nossa alma e um vento impossível arrancasse a invisível capa protetora de nós mesmos e nos deixasse ali. Expostos.
Ainda outro dia conheci alguém assim. Com malvados poderes de bruxo vidente. Senti-me no confessionário da igreja, a ter que me confessar para poder finalmente usar o vestido branco da primeira comunhão. Precisava então inventar bons pecados, daqueles que não me prendessem muito tempo nas rezas mas que me permitissem ganhar o vestido. Mas meus 11 anos já lá vão longe e há muito não me confessava. Perdi o jeito. Fui descoberta.
Saí fugida feito o gato ainda não conquistado, com um naco de atum na boca. Por mais bem falante que sejamos, por mais cursos que acumulemos, por mais idade que tenhamos, seremos sempre meninos analfabetos e mudos diante daquele que nos enxerga a alma. Até que chegue o dia em que, assim como o mais ressabiado dos gatos, deixaremos que nos afague o pelo.
Verónica Vidal
segunda-feira, 22 de junho de 2015
Desintoxicando a vida
Esta última semana ponderava
terminar minha conta no Facebook. De algum tempo para cá, os posts agressivos
tornaram-se cada vez mais frequentes e isso causa-me um tremendo mal-estar,
especialmente porque tenho como amigos em rede social pessoas que me são caras.
Entretanto, foi aniversário da
minha filha e vi as fotos da celebração. É verdade que se eu deletar a conta,
ela acaba por me mandar algumas fotos por whatsapp. Mas decidi que não é o
comportamento de outrem que há de determinar a forma como eu levo a minha vida.
Portanto, vou apenas excluir os que repassam posts e comentários que me
incomodam. Não deixo de amar ninguém e não deixo de ser amiga, mas não
concordo. Quero a minha página elegante. Quero a minha página da paz. Sou cristã.
Desde os 22 anos convertida após uma pregação do próprio Malafaia. Mas sempre
frequentei a igreja Batista porque meu temperamento é outro. E respeito toda
e qualquer religião. Até quem não tem nenhuma. E respeitar é saber que a pessoa
tem o direito de professar a sua fé, e não tem direito nenhum de ridicularizar a minha nem de me colocar no mesmo balaio de maçãs envenenadas. Se alguém me der doce de Cosme e Damião eu
vou comer – hoje não, porque preciso manter a dieta. Acredito que meu Deus é
maior do que essas bestices pequenas. Mas morrerei respeitando o meu irmão de fé que não toca num saquinho. Eu não disputo santidade com o meu irmão,
até porque sei que vou perder a disputa no primeiro round.
Eu tenho um montão de amigos homossexuais e outro montão heterossexuais. Tenho certeza de que todos eles são pecadores. Coincidência, eu também sou. Então, porque ficar com essa coisa desgastante de isso é gay, aquilo não é gay, vamos governar para os gays, orgulho hetero, orgulho gay?
Eu tenho um montão de amigos homossexuais e outro montão heterossexuais. Tenho certeza de que todos eles são pecadores. Coincidência, eu também sou. Então, porque ficar com essa coisa desgastante de isso é gay, aquilo não é gay, vamos governar para os gays, orgulho hetero, orgulho gay?
Eu passo a minha vida tirando
bocadinhos de sangue para saber se ele vai ou não prestar para os próximos 6
meses. E terei que fazer isso para o resto da minha vida, seja ela mais curta ou
mais comprida. Isso me incomoda, mas não tanto quanto ver meus amigos falando de
vinganças, propagando o fim do Cristianismo, apoiando intolerância religiosa,
isso sim, me consome. Isso é mais tóxico do que os 30 comprimidos por dia ou do
que o saquinho de líquido amarelo descendo pela veia.
É hora de desintoxicar.
Verónica Vidal
quarta-feira, 17 de junho de 2015
♫ Caminhando e cantando ♪
![]() |
| Aventura em imagens |
Ter visitas em casa é a coisa mais chata do planeta. Eu não tenho o menor talento para fazer sala, para servir coisinhas. Por isso eu opto por receber amigos. Amigo tem que aprender de imediato onde ficam os copos e onde é o caminho da geladeira. Amigo precisa saber logo como se abre a janela do banheiro e onde fica o Gleid, porque nessa vida humana, nenhum de nós bebe perfume.
Ter uma família como a minha é uma bênção sem tamanho. Porque todos são deliciosamente aconchegantes, maravilhosamente barulhentos e completamente diferentes uns dos outros.
Minha tia Denise - a eterna miss - trouxe seu marido e todo o seu frescor para a minha casa. Senti-me como que roubando o tempo dos dois, como a criança que ganha um brinquedo no Natal e quer brincar com ele de dia e de noite, e acaba por capotar por falta de energia mas nunca por falta de vontade.
E eles haviam feito um desvio em sua viagem de férias pela Europa, só para me visitar. E eles ainda ficaram mais uns poucos dias, só para me agradar. E cantaram e tocaram violão. E fizeram show de música brasileira numa casa de fados de Coimbra.
Nessa visita descobrimos que um Mário português tem parantesco próximo com um Ademar baiano. Em algum lugar na história o DNA destes maridos se misturaram de forma tal, que um ficou como o outro e o outro como o um. Mais ou menos assim. É bem verdade que Mário não toca violão tão bem como o Ademar, mas reconheço que eu destruo com maestria toda e qualquer música que começar a cantar. Nós os quatro fazemos dois casais perfeitos. Musicalmente falando, também.
Eu acho que, quando perdemos nossa mãe, catamos migalhas de amor de mãe aqui e ali. E reconhecemo-lo mal ele desponta. Porque é só quando se ama muito uma pessoa e se tem a liberdade de dizer: "Não pinte seu quadro de amarelo. Você será mais feliz se pintá-lo de vermelho. Eu já pintei quadros, e é melhor o vermelho, vai por mim." E diz-se porque o desejo que o outro seja feliz é maior do que o desejo de ser aprovado. Quem ama, não liga se o outro vai ficar amuado. Ele diz: "Não sobe na árvore, que você cai."
E então senti-me amada. Ainda que a minha tia seja muito mais jovem do que a minha mãe seria, senti aquele calor de conselho de mãe, que é coisa impossível de descrever.
E por cá ando eu, juntando as minhas tintas vermelhas. Porque descobri que esperto é aquele que aprende com os sábios.
Ao Ademar, sábio homem que roubou o coração da tia Denise.
À minha tia miss, que sempre foi linda mas é mesmo estonteante por dentro.
Verónica Vidal
quinta-feira, 4 de junho de 2015
Uma vida com muita vida
Estaríamos hoje todas juntas na casa da mamãe, a celebrar seus 73 anos. E ela, com seus imensos olhos cor de mel, inevitavelmente choraria.
Quantas e quantas vezes vem-me à cabeça um pensamento recorrente: "vou contar à minha mãe", para imediatamente depois eu sacudir esse pensamento da ideia porque a lembrança de que minha mãe já não está aqui estala como um flash. Sinto um misto de idiotice e tristeza num segundo, para logo então voltar aos meus afazeres cotidianos e bestinhas.
Nunca consegui me lembrar a data da morte dos meus pais. Na minha cabeça, seus epitáfios têm somente as datas de nascimento. Ambos são de 1942. Ambos morreram eu tinha pouco mais de 30 anos. Entretanto, as datas de aniversário, aniversário de casamento, essas sim, eu nunca esqueci. Há de ser a seletiva memória que tenho, que só escolhe os bons momentos para guardar.
Uma das provas mais duras que uma pessoa pode passar na vida é ficar sem mãe. Em qualquer idade, perder a mãe é perder o chão, perder o colo, a segurança do aconchego. É ter que viver sozinho, ainda que se esteja rodeado de irmãos, marido, mulher, filhos. Temos então que, finalmente, crescer. Porque não é somente a mãe que enxerga o seu filho como uma criança. O filho, enquanto tem mãe, será sempre meio criança, simplesmente porque pode ser. E essa obrigação de crescer de repente dói.
Nunca consegui, e sei que jamais conseguirei ser melhor mãe para as minhas filhas do que a minha foi para mim. D. Lina nasceu com o dom divino da maternidade. Tomava tabuada, botava de castigo, dava chinelada e enchia de carinho. Cresci vendo a minha casa sempre com muitas crianças. Minhas irmãs, minha tia menina Licinha, Cláudia e Adriana que eram as filhas da vizinha, minha prima Monique, a Gracinha, filha da tia Miloca, e um pouco mais tarde, meus primos Daniela e Leonardo. E iam por variados motivos. Para passar um fim de semana, um bocadinho das férias, para a mãe ir à faculdade, ou só porque sim. Mamãe sempre ficava feliz com aquela meninada toda. Não foi diferente quando nasceram as minhas filhas. Sei que a vovó Lina, apesar de ter partido cedo, será para sempre a referência de avó para elas. Porque algumas pessoas, vivem muitos anos, mas na verdade vivem pouco. Minha mãe, viveu poucos anos, mas viveu muito. Viveu nos sonhos que teve, no amor que derramou, nos livros que leu, na intensidade de cada gesto.
Mamãe, feliz aniversário! (até breve)
Verónica Vidal
quarta-feira, 6 de maio de 2015
Dia das Mães sem Mãe
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| Retirantes - Cândido Portinari (1944 - óleo/tela) |
Mês de maio tenho sempre aquele misto de felicidade e tristeza. Aquela melancolia misturada ao cheiro das laranjeiras em flor que perfuma a cidade e nos obriga a abrir um sorriso involuntário. A certeza de que o comércio já inundou as ruas e lojas com publicidade sobre o Dia das Mães junto com as primeiras flores que desabrocham e anunciam a primavera. E eu tento esquecer o tal Dia das Mães e focar-me na estação das flores. Faço de conta que não é comigo, sinto-me com sorte por ter o primeiro domingo já passado e espero que o segundo domingo voe. Em Portugal, celebra-se o Dia da Mãe no primeiro domingo. No Brasil, a festa fica para o segundo domingo de Maio. Minha mãe deixou-nos cedo demais e o dia da mãe sem mãe não tem graça nenhuma. Eu vivo a muitos milhares de quilômetros das minhas filhas e faço de conta que tudo isso é normal. Quero só que o dia passe e que imagens de mães e bebês e abraços e flores sumam dos cartazes da cidade, da TV, da tela do meu computador. É meu maio egoísta. É meu desejo Grinch de dia das mães.
Olho-me ao espelho todos os dias de manhã, quando acordo com a cara amassada e vou lavar o rosto e os dentes. Todos os dias de manhã vejo traços da minha mãe. D. Lina está aqui, estampada na minha cara, impedindo-me de esquecê-la. Maldita saudade desgraçada que não me serve de nada, que não me permite pegar um avião para matá-la. Saudade cretina que não me deixa mandar mensagens por e-mail, carta, facebook, um telefonema. Saudade dolorosa, que não cura com o tempo, saudade mentirosa.
Refugio-me milhões de vezes nas minhas memórias de infância e invariavelmnete perguntam-me o porquê de eu reviver e relembrar tão claramente situações corriqueiras tão antigas. Lembranças doces e bestas. Lembranças em que mamãe estava conosco, cuidando, ralhando, brincando, levando a passear, obrigando a comer, protegendo, existindo. Minhas irmãs então estariam para sempre ali, minha mãe estaria para sempre ali. Era uma época de segurança onde perder qualquer uma dessas coisas era inimaginável. Por mais que eu tente me retirar do presente é impossível retornar ao passado, desdizer o já dito, desviver o vivido, ressuscitar o morto. Resta-me a lembrança, num eterno Vale a Pena Ver de Novo, em infinito rebobinar.
Não quero que minhas filhas sofram de saudades, essa praga é cruel. Quero antes que elas me desprezem por um motivo qualquer e assim nunca terão um amargo dia das mães sem mãe. Hão de desfrutar todos os dias de mãe longe, de mãe ausente, de mãe distante. Hão de viver suas vidas felizes e coloridas sem lembranças do tempo bom porque o tempo bom delas será sempre o tempo presente. O dia seguinte das minhas meninas será sempre melhor do que o dia de hoje, que foi muito melhor do que o de ontem. É isso o que eu quero. E eu me retiro, saio de cena, quietinha, sem fazer ruído, para não acordá-las.
Verónica Vidal
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