segunda-feira, 5 de abril de 2010

PAPO PIPOCA

Ontem fui ao cinema. Semana passada também. E na anterior e na antes dessa. Costumamos ir ao cinema às quintas-feiras, com poucas variações. É o dia das estréias dos filmes aqui na cidade e aproveitamos para quebrar a rotina da semana. Nestas épocas de entregas de oscares, ursos e palmas, entre outras tantas premiações que envolvem a sétima arte, pego-me a querer conversar sobre o filme, o que vi e não vi, o que gostei e não gostei. Sinto falta da minha irmã, companheira fiel durante meus longos anos de casamento-abandono. Hoje, que tenho um casamento de sonho, marido presente, etc e tal, dou por mim a sentir falta da minha companhia principal para o pós pipoca. Não tenho mais com quem falar sobre o filme cult que assisti, sobre o popularíssimo que detestei.

Um dia destes fomos - eu e meu marido - assistir Alice no País das Maravilhas, de Tim Burton, em 3ª dimensão. Filme comentadíssimo, muito esperado, sucesso de público. Saí no meio do filme. Uma chatice sem tamanho, uma decepção completa. Até então, só havia saído no meio de um filme, salvo engano: O Senhor do Anéis. E estávamos juntas, eu e minha irmã. Hoje, quero falar mal do filme e não tenho com quem. Meu marido vai ao cinema para se desligar do mundo por duas horas, não gosta de comentar filmes. Eu tenho a necessidade de espinafrar com um filme que custou o suor do meu rosto ao pagar o bilhete e duas horas da minha vida ao assisti-lo, caso não me agrade.

Com a mesma intensidade tenho o desejo de enaltecer filmes que me encantaram e falar dos pormenores que muitas vezes passam despercebidos. Adorei "Precious". Pela crueza da narrativa, sem dramatizações da desgraça, com um jeito que beira ao documentário. Sem música, sem maquiagem e sem gente "bonita". Lembrava-me os filmes vistos nos cinemas Estação. Filmes "mundo cão". É como ela se refere a este tipo de filmes.

Pois bem. Mas eu comecei este assunto a dizer que ontem fui ao cinema. Tive uma grata surpresa ao assistir ao filme "O Livro de Eli". Não tinha idéia da história, só sabia que era protagonizado pelo Denzel Washington e para mim isso já bastava para fechar bem o dia. O desenrolar da história foi me dando a certeza de que a escolha, embora aleatória, não poderia ter sido melhor. É um filme para assistir nas entrelinhas - ou entrecenas, entresons. Bruto e delicadíssimo. Passa-se numa América pós hecatombe nuclear, onde Eli (Denzel) tem a missão de levar um livro para o oeste e nada pode detê-lo de sua missão. Pode-se ler aí, o desejo humano de perpetuação de uma cultura, de propagação da fé, e de domínio sobre as massas. Um argumento antigo, num cenário batido, com uma história atual. E, apesar de tudo, surpreendente. Ai, ai... e eu aqui, a escrever o que eu gostaria de ter falado, de ter comentado, de ter repensado. Cadê a minha irmã cinéfila? Com quem vou comer um quiche de palmito com queijo? Onde estão Bruninho e Betinho? É, somos as famosas garotas das bolinhas de queijo...

Para a minha irmã, Viviane, que bem me lembrou que aguentamos até ao finzinho o Senhor do Anéis: Que será feito de Bruninho e Betinho?