segunda-feira, 15 de julho de 2013

Hombres enamorados - No creo, pero que los hay, los hay!

E neste último sábado, dia 13 fui a uma sessão de autógrafos do livro de poesias "Templo do Fogo Insaciável", de António Vilhena.
 
Uma conversa leve e descontraída com o autor, que correu na loja de uma amiga, a livraria Celas, e foi esta a primeira vez que fui a um evento literário aqui em Coimbra. Muito diferente das grandes festas normalmente patrocinadas pelas Saraiva da vida lá no Rio, ou dos lançamentos nas bienais do livro, este cabia na sala da nossa casa. E isso criava um clima de intimidade que seria impossível se ali estivessem apinhadas trezentas pessoas. De brinde ganhávamos a leitura de algumas das poesias do livro, lidas ali pelo próprio criador. A leitura de um poema, quando provém diretamente da boca do autor, tem um outro perfume. Vem com a entonação que ele quis dar ao seu texto, com uma veracidade e um calor que ele mesmo quis imprimir à obra. Nem sempre nós conseguimos o mesmo efeito quando a lemos em casa. O fato é que eu não estava preparada para uma poesia que me roubasse o coração. Já conhecia o autor de uma outra obra, também de poesias, que me havia sido ofertada. Mas este livro é diferente do anterior. Ardente, inquietante, de uma poesia arrebatadora que nos rouba a alma. E de todo eu não esperava aquele momento perturbador. Menos ainda que um homem desnudasse ali os meus próprios sentimentos como se deles fossem. Faltou-me a roupa, senti-me nua, faltou-me o fôlego, vi-me muda.

Intriga-me saber que homens possam sofrer de carências afetivas, sentimentos tão tipicamente femininos. Talvez a minha quase total ignorância sobre o universo masculino tenha me tornado numa crítica ferrenha do chamado sexo forte. Cresci rodeada de mulheres. Mãe, irmãs, filhas, amigas, amigas das irmãs, amigas das filhas. Enfim, muito laçarote cor-de-rosa pela minha casa. Ouvir de um homem que o que ele precisa é de um abraço é desconcertante, posto que é raro. A maioria quer mesmo é pegar no teu peito. Talvez este tenha descoberto que o caminho mais sexy seja, na realidade, o do abraço, o do entrelaçar de mãos. Talvez uma mulher já lhe  tenha segredado e ele, finalmente, a tenha escutado. Ou talvez, só talvez, haja mesmo homens cujo carinho não seja apenas ingrediente para a conquista, mas tempero para a vida.

E assim nós, homens ou mulheres, seres concebidos com a necessidade incontrolável da paixão, pessoas que não se contentam com o beijo de ontem ou o abraço da semana passada, antes carecem do seu quinhão diário de toque, do eu te amo fora de horas, somos meio assim, feito cãezinhos abandonados. Apaixonamo-nos por quem nos dê migalhas de carinho, por quem nos estenda a mão.  Ainda que por breves momentos, que por poucas semanas, apaixonamo-nos. Pelo professor de matemática, pelo carteiro, pelo escritor que até já morreu, pelo colega de classe, pelo namorado, pelo marido. Porque o que amamos, sempre, é o amor.

Verónica Vidal  -“Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay” -  a Miguel de Cervantes Saavedra  é imputada a autoria da frase, que caiu no dito popular espanhol.