domingo, 14 de julho de 2013

Há noites quase perfeitas - é verão

E o verão que tanto demorava para aparecer chegou de sopetão. Apareceu tórrido, lancinante, a nos encher de calores, feito o António Banderas no filme... ah, todos! O verão daqui é um bafo quente e seco, diferente do Rio 40 graus a que eu estava acostumada onde, apesar dos famosos 40 graus - às vezes mais - quase sempre tem aquela brisazinha e invariavelmente é húmido, de forma a nos fazer transpirar feito torneiras rotas e assim regulando um bocadinho a temperatura corporal.

Tudo acontece no verão. Os festivais de música, as festas, as feiras populares e, é claro, as férias. Tenho a impressão de que as pessoas andavam enfiadas numa gaiola por 9 meses inteiros e no verão são soltas pelas ruas, desesperadas, sem saber o que aproveitar primeiro. E então vem a época da praia, as revistas que prometem a dieta detox-enxuga-últimos-quilos, e o arrependimento de ter passado todo o inverno agarrada a presuntos e salsichas, queijos e vinhos, leitão e pastéis de nata. Lá vai a mulherada para os centros de estética a fim de eliminarem as celulites e pneus que saltam pelo biquini. Os atletas de verão acotovelam-se nos parques e beiras das pistas, todos em prol da saúde e boa forma cuja determinação mais uma vez, só há de durar 3 meses.
 
As paixões de verão também nos parecem mais interessantes. Vamos combinar que sexo debaixo de dois cobertores e um edredom não é a mesma coisa que pular pelado em cima da cama. Ah, é claro, tem sempre o inconveniente dos mosquitos, do suor naquela noite excessivamente quente, já que nunca estamos preparados para o calorão, apesar dele chegar todos os anos, igualmente ardente feito malagueta em acarajé. Colecionamos cobertores e aquecedores, mas nunca temos um ventiladorzinho chinfrim encostado para os dias de calor. E basta o sol derreter nossos corpos debaixo dos telheiros da cidade, a correria desvairada às lojas para comprar ventiladores, ar-condicionado e afins, faz lembrar dia de Cosme e Damião no Rio. É, eu também comprei um. Era o penúltimo. Tive sorte.

Nem tudo é bom, nem tudo é ruim no verão das bandas do lado de cá. Para quem espera pelas férias, o calor escaldante até faz jeito, já que tenta-se a todo custo um bronzeado a jato nas leitosas peles que andaram cobertas por meses a fio. Para quem amarga o labor debaixo de suor, sem samba ou cerveja, só resta é reclamar do calor, coisa que o povo sabe fazer sempre bem.

Para mim, deliciosas são as longas tardes, as doces noites, onde se pode passear sem os pesados casacos. Apreciar a lua, ou a noite sem lua, passear à beira mar. Estes são os meus programas de verão. Há quem ame o sol. Eu prefiro a lua.

Verónica Vidal