quarta-feira, 18 de junho de 2008

O Ministério Feminino Adverte

O MINISTÉRIO FEMININO ADVERTE

Sabe um daqueles dias que você sai se sentindo poderosíssima, com seu melhor modelito: aquela saia que valoriza suas curvas e ainda te deixa magra? Pois é. Outro dia foi um desses dias. Eu me preparei especialmente para encontrar-me com ele. Não, não era um encontro. O cara era um cliente que eu iria visitar - já o tinha feito umas quatro vezes antes e não havia motivo para esta última visita, além, é claro, daqueles cabelos levemente grisalhos nas têmporas, aquele sorriso lindo de comercial de creme dental. Enfim, inventei a necessidade e fui à luta. Para quê? Para que a secretária do sujeito elogiasse a minha saia. Foi o máximo em aprovação que eu obtive naquele dia. Frustrante, para não dizer desesperador.

Voltei para casa e me olhei no espelho: Eu estou gorda. Meu nariz é grande. Deveria fazer aquele negócio de facetas que deixam o seu sorriso parecendo o da Camila Pitanga - pelo menos foi mais ou menos isso que eu li na revista Plástica. Será que eu faço luzes? Amanhã eu começo a dieta de carboidratos zero. Vou caminhar na areia da praia, que o resultado é mais rápido. Academia não adianta, é jogar dinheiro fora. Pago e não vou. Odeio. Caraca! Por que que o idiota não me deu nem uma paquerada de leve? Nada, nada, nada.

Atenção homens: Se virem uma mulher arrumadíssima na sua frente, paquerem-na. Mesmo que não queiram nada com ela. É uma questão de solidariedade. Evitaria muito suicídio por aí. Pensando bem, acho que essa advertência deveria vir nas embalagens de cuecas masculinas, iguais àquelas das de cigarro. É, afinal, uma questão de proteção à saúde mental da mulher. Não é simplesmente orgulho ferido, mas sim uma questão cultural a mulher sair de casa vestida para matar e ganhar o objeto da sua sedução. Alguém inventou isso para um filme de Hollywood e a fórmula tem sido copiada incansavelmente. E eu aposto que quem inventou isso foi um homem. Agora, azar o deles. Paquerar é uma obrigação da classe masculina.

Só para o caso do meu cliente ler isto aqui, deixo uma nota direta para ele: Olha aqui, eu nem liguei. Eu ia dizer não mesmo. Sou muito seletiva.