domingo, 15 de abril de 2007

Política dos Silva

Presidente eleito, cerimônia de posse recheada de quebras de protocolo, foto do presidente sem a faixa presidencial e exibindo um sorriso, enfim, tudo para fazer do ex-líder sindical um super star. Começo a achar que quem tem um melhor articulador de marketing, um melhor estrategista de imagem, ganha eleições. Não que eu não goste do presidente ou que não o quizesse no poder, mas tudo aquilo que antes era brega, criticado, combatido, de repente vira moda, símbolo de altruísmo, de popular e não mais popularesco.
Li na coluna da Hildegard Angel - aliás, nem sei por que eu estava lendo essa coluna - que a ministra Benedita da Silva estava "elegantérrima" em seu tailleur. Não tem muito tempo li no mesmo jornal críticas a respeito da roupa da então governadora Benedita da Silva. Afinal, mudou o cargo mas o estilo de roupa e o penteado - tão criticado antes - continuam os mesmos. As opiniões vão alterando-se ao sabor dos ventos do poder e a mídia dita o que devemos ou não gostar.
De repente diz-se que todo aquele que tem sobrenome Silva orgulha-se tremendamente dele. Eu conheço um monte de Silva e nunca os ouvi falar nesse tal de orgulho. As pessoas ainda desejam ter sobrenome estrangeiro e dizer que são descendentes de europeus ou americanos. É chic. Enfiaram isso na nossa cabeça e agora estão querendo fazer com que vomitemos tudo num só fôlego, para engolirmos a política do Fome Zero, esperançosos de que desta vez o Brasil dá certo. Para quem? Para quem criticava o ex-governo dizendo que juros altos impedem a economia de crescer e com isso deixa de gerar emprego e imediatamente após mantém o aumento dos juros com a máxima: "Quem tiver solução melhor que a apresente"? E a mídia aplaude. Os desdentados Silvas existentes na telinha sorriem, sentido-se praticamente parentes do presidente, impulsionados pela fama repentina que a luz da câmera trouxe. E eu termino de ver o Jornal Nacional entendendo menos de política e mais de marketing.