quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Depois dos 30

Esta eu escrevi em março de 2005, mas hoje, quando vi a foto da Giovanna Antonelli, 1 mês depois de um parto de gêmeas, lembrei deste texto e fui fuçar o baú. E achei. Então, aí vai: 

Nota: Acabo de ver um caminhão descarregando um montão de revistas "Boa Forma" (ou algo do tipo) com a Angélica na capa, toda malhada, após ter dado à luz ao seu bebê milionário que ganhou um helicóptero do papi. Reacendeu-me então a chama do ódio contra essas comparações que fazem conosco, pobres mortais, que trabalhamos das 6 às 19, sim, porque o tempo do ônibus também conta! E chegamos em casa a tempo de fazer o jantar e limpar a zona que os filhos fizeram durante o dia, sempre afirmando que estavam ocupadíssimos lavando 3 copos e 2 talheres.

Portanto, à nós, mulheres com celulites e gorduras localizadas, que lutamos de ônibus ou num 1.0 sem ar condicionado, que escolhemos se o que será pago este mês será a conta de telefone ou a de luz, minha mais sincera reverência. E a vocês, homens que desistiram de sonhar com uma Angélica da vida - se é que existe algum - e apreciam as suas mulheres maravilhosas, meu aplauso.

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DEPOIS DOS 30

Lembrei-me da propaganda que dizia que "o primeiro sutiã a gente nunca esquece". Depois vieram as mais diversificadas versões deste slogan, mas a que lateja na minha cabeça é a versão da época de colégio, "a última transa é a que a gente nunca esquece". Das duas uma: ou essas frases são pura mentira ou estou com sérios problemas de memória. Não lembro nem a cor do meu primeiro sutiã e, o mais humilhante de tudo é que eu não lembro quando foi minha última transa. Acho que já faz uns quatrocentos anos ou por aí. A sensação pelo menos é esta. Que fim levaram os homens? Aqueles, que estavam sempre disponíveis, prontos para te comer se bobeasses. E agora estou eu aqui, dando a maior bobeira e eles? Sumiram!

A verdade é que ter mais de trinta e menos de quarenta - idade que jamais chegará - é mesmo uma merda. Os homens mais velhos, ou os da mesma idade, só querem as de vinte e cinco. Querem mesmo são as de dezesseis, mas como dá cadeia, contentam-se com as de no máximo vinte e cinco. Os mais politicamente corretos e metidos a besta mentem dizendo que preferem mulheres mais velhas - leia-se: de trinta, trinta e dois no máximo. E ainda nos comparam às turbinadas das revistas. E cá ficamos nós, autênticas balzaquianas, bombardeadas por esta profusão de bundas e peitos siliconados, por vaginas incendiárias e barrigas chapadinhas com seus piercings nos umbigos. Odeio abdomen definido! Odeio os das mulheres, é claro, por que de homem eu não odeio nada. Seja definido ou indefinido, foi homem, eu a-do-ro! Além do que, não estou em situação de escolher. Ter que disputar meu macho com as popozudas que são conquistadas com a musiquinha chinfrim do Bolete e que prometem rebolações intermináveis, com suas coxas chupadas na lipo e panturrilhas malhadas no step, não dá!
Onde estão aqueles homens de verdade, que acham que celulite é nome de loja e que você nunca está gorda e sim gostosa? Aqueles que nunca reparam que você cortou o cabelo ou vestiu uma roupa nova, mas todo dia te jogam na cama e deixam no teu pescoço aquelas indeléveis marcas roxas, cuja explicação mentirosa soa sempre pior do que a verdade?
Vou lançar uma campanha contra o silicone e contra a lipoaspiração. Contra mulheres de quarenta que querem parecer ter vinte. E contra homens de cinquenta que querem as boletianas de vinte e cinco. Contra calça de cintura baixa e mini blusas sem sutiã. Está neste momento sendo lançado nacionalmente o MSH - o movimento das Mulheres Sem Homens - onde todos os homens com mais de quarenta serão desapropriados para serem enfim entregues a nós, balzaquianas, verdadeiras apreciadoras das barriguinhas salientes e dos ralos cabelos grisalhos. E, finalmente, talvez possamos voltar a ouvir Djavan, Caetano, Chico Buarque...

Verónica Vidal