quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Marcianos X Venusianas

Homens reclamam constantemente que nós, mulheres, somos complicadas. Eles têm razão. Muita razão. Somos seres complexos, pensamos demais. Quanto mais estudamos, mais inconstantes ficamos, mais padecemos de alterações de humor, mais solicitamos, mais damos, mais queremos, mais, mais, mais. Homens são mais fáceis, assim imagino. O clube perdeu? Mau humor. O clube ganhou? Bom humor. Há sexo? Bom humor. Não há sexo? Dorme. São fáceis. Comparar homem e mulher é como comparar um protozoário a um ser humano – não digo isso aqui para denegrir os homens, mas para comparar a simplicidade de um organismo à complexidade do outro.
Ver imagem em tamanho real O dia a dia de um homem é simples e rotineiro. Levanta, faz a barba, não toma café da manhã e sai com uma xícara de café ainda a engolir. Chega ao trabalho, faz o que há para ser feito, vai ao café ao lado e come qualquer coisa, volta ao trabalho, almoça, mais trabalho, chega a casa, toma banho, janta em meio a notícias, futebol e cama. Se há sexo, há, se não há, dorme.
O dia a dia de uma mulher é: Levanta, toma banho, tonifica e hidrata o rosto, maquilha-se, hidrata o corpo, seca o cabelo, prepara o café da manhã com: café, fruta, granola, mel e iogurte. Guarda o que ficou espalhado da noite anterior e lava a louça do café. Coloca na bolsa a água com fibras, o lanche do meio da manhã e vai trabalhar. Trabalha, certifica-se que bebeu 1,5 l. d’água durante todo o dia, lancha a barra de cereais que trouxe na bolsa, pois o café ao lado tem um cardápio a pensar em homens, almoça uma sopa em 15 min. a fim de aproveitar o tempo para arranjar as unhas – ou as sobrancelhas, ou os pés, ou a depilação, ou ir ao banco, cada dia é separado para um fim – mais trabalho, ginásio, casa, preparar o jantar, jantar, separar a roupa para lavar, separar a roupa que vai vestir no dia seguinte, molhar as plantas, escovar os dentes, lavar o rosto, tonificar e hidratar a pele e cama. Se há sexo, pergunta-se: Estou muito gorda? Meu peito está caído? Ai, essa minha barriga não desaparece nem por decreto papal! Porque será que ele passou o dia todo sem nem me ligar? Deve ter outra. Certamente tem outra. É nisso o que ele pensa o dia todo. Estou gorda. Se não há sexo, pergunta-se: Estou muito gorda? Meu peito está caído? Ai, essa minha barriga não desaparece nem por decreto papal! Porque será que ele passou o dia todo sem nem me ligar? Deve ter outra. Certamente tem outra. É nisso o que ele pensa o dia todo. Estou gorda.
Isso tudo me lembra a história dos ciúmes. Na América, terra das pesquisas e estatísticas, determinaram que as mulheres são mais ciumentas do que os homens. Sim, determinaram, digo eu, pois eu lá sei se essas pesquisas são ou não válidas e o quanto de sinceridade foi utilizado ao respondê-las. Confesso que eu tenho uma certa preguiça em personificar o protótipo da mulher ciumenta. Vasculhar bolsos e cheirar roupas não faz o meu estilo. Já basta ter que colocá-las a lavar, ainda tenho que vasculhar bolsos? Eu sofro de enxaqueca, não estou aqui para ficar cheirando roupas. Meu tempo é curto e, com o pouco que me sobra, prefiro gastá-lo a ler um livro. Tudo isso para dizer o que? Que, com tantas coisas que uma mulher tem a fazer no seu dia a dia, tenho cá as minhas dúvidas em relação a essas pesquisas norte americanas.
Tenho uma amiga que deixou o terceiro marido há pouco tempo. Às vezes lamenta o fato de agora estar sozinha, à beira dos 50 anos. Eu, pessoalmente, ainda prefiro estar sozinha aos 50, disponível para um príncipe, do que ficar 10 anos acompanhada de um estorvo e perceber que neste aniversário completo 60 anos. É claro que, à medida que o tempo passa, nosso ideal de príncipe precisa ser adaptado. É preciso esquecer os abdómenes tabletes e ficar feliz com uma barriga saliente, deixar de lado a preferência por loiro ou moreno e aceitar uma pronunciada calvície. Em contra-partida, há mais chances de ser sorteada na mega lotaria do sexo e ganhar um mestre nas artes da alcova. E isso, já é bem mais difícil de encontrar entre os príncipes de vinte e poucos, desses que estampam as revistas e fazem comerciais de cuecas. Enfim, um brinde ao terceiro divórcio. Espero que estejamos juntas para podermos brindar ao seu quarto casamento. Vou molhar as plantas.