terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Pedrógão Pequeno - um lugar chamado amor

P. José Afonso, eu e Marco - Eliane, D. Maria José e eu
Ouvimos dizer que aquilo que dá luta conseguir tem sempre um sabor mais doce. Que tudo que é fácil perde um bocado do seu encanto e mistério. Concordo com o dito porque a maior parte das coisas queridas e lembranças agradáveis que tenho foram resultado de lutas e tropeços, para que enfim viesse o delicioso sabor da vitória.

E partimos rumo a Pedrógão Pequeno, vila bucólica inserida no Concelho de Sertã e perdida como um oásis no meio das montanhas. E por uma combinação de inata falta de habilidade minha a encontrar os caminhos certos e insistência do GPS em nos fazer circular por quase todo o Concelho, exageros à parte, uma viagem que seria de 50 minutos tomou-nos 1 hora e meia, garantiu-nos muitos enjôos mas também brindou-nos com lindas vistas e caminhos que a nós pareciam inexplorados. 

A missão que tínhamos em Pedrógão Pequeno era simples: A tia do meu amigo, do alto dos seus noventa e poucos anos, havia-lhe pedido uns santinhos da igreja local, onde seu avô - ou pai, já não mais me recordo - havia se batizado. Como negar um pedido a uma senhora quase centenária? Missão dada é missão cumprida e, perto ou longe, lá iríamos nós. E lá chegamos.

E encontramos uma típica vila portuguesa, paramos no café e perguntamos onde ficava a igreja de São João Batista. A simpática jovem do café indicou-nos prontamente: "É a Matriz". Ficava a dois passos. E lá estava o carteiro, que nos indicou a Junta de Freguesia, onde obteríamos informações acerca do padre, a fim de abrir a igreja só para nós, tirarmos as fotos e dar-nos, se houvesse, os tais santinhos. Em dois minutos o padre José Afonso estava conosco, recém chegado de trabalhos que estava fazendo na própria comunidade. Autorizou-nos a entrar na igreja e pediu à doce Sra. Maria José, que por ali se encontrava e que desviou-se do seu caminho para nos ajudar. Já nãoexistem mais os santinhos, mas saímos de lá pesados de fotos, descobrimos a história do local e da igreja, descobrimos a pia batismal onde o avô havia se batizado - o mote da viagem. Fotos tiradas, histórias contadas, visitas feitas. Descobrimos que, acima de tudo, nada é mais importante do que a boa disposição das pessoas. O empenho sincero que todos ali tiveram em nos ajudar marcará nossos corações para sempre e assim temos a certeza de que, por mais que o homem invente o GPS mais moderno, o que nunca falhará mesmo é o amor.   

Verónica Vidal -  Pedrógão Pequeno será sempre lembrado como um lugar acolhedor onde cada uma das pessoas que encontamos pelo caminho, se predipôs a ajudar. Que todos sejamos assim, grandes, como os habitantes de Pedrógão Pequeno.