quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Plastificar a florzinha em segredo é para os fracos!


Ainda sou da época dos domingos sagrados, das repreensões mais sérias simplesmente por ser domingo, dia dedicado ao Senhor e por isso não se podia falar besteiras ou portar-se mal. A parte boa disso é que eu não me recordo de algum dia ter levado uma chinelada da minha mãe num dia de domingo. Gosto dos domingos.

O tempo tem estado frio por estes lados e nós acabamos por nos limitar a apenas uma divisão da casa: A copa-cozinha. Lareira acesa, televisão ligada e o programa de reportagens ao estilo revista eletrônica dando as informações da semana. Perfeito fim de domingo. Sim, terio sido se eu não começo a ver e ouvir, com estes olhos e ouvidos, uma reportagem sobre uma mulher que havia feito quatro cirurgias plásticas ao mesmo tempo. E já nem era a primeira vez que se plastificava. Até aí, sem problemas, certo? A questão era: Uma das cirurgias era para dar uma recauchutagem na periquita. E a guria chamou meio mundo de repórteres, postou nas páginas sociais, etc e tal, que sua periquita tinha sido cortada, cosida, plastificada, enchida ou sei lá eu o quê. Fiquei pasma. Quem era a garota? Que novela ela fazia? Que livro escreveu? Que música compôs? Nada! Foi expulsa da sala, na faculdade que estudava, por usar um vestido excessivamente curto, processou a universidade e, pegando carona na fama repentina, tirou foto pelada. Ganhou o processo, indenização e tudo mas nunca mais voltou a estudar. Agora plastifica a periquita e anuncia na TV. E isso vira notícia de um programa de domingo à noite. Ainda sou da época que não existia periquita bonita ou periquita feia. Cada uma tinha a sua e pronto. Agora a mulherada, além de ter que disputar beleza com as lipoaspiradas e siliconadas, com as bombadas e anabolizadas, também terá que comparar beauté da dita cuja? O mundo saiu do eixo, e caiu rolando para algum canto obscuro, só pode. 

O conceito do que é íntimo e pessoal deixou de existir. Independente de tabus, há determinadas coisas que deveriam permanecer no âmbito da privacidade, sob pena de tornar o sujeito demasiadamente exposto - neste caso, a sujeita. Se você, amiga, acha que a sua orquídea está com uma pétala torta, tudo bem, vá lá no jardineiro fazer uma poda. Mas não me conte, por favor. Não num domingo, que é dia santo.

Verónica Vidal - Pare o mundo aí que eu quero descer!